Histórias

A menina Thereza


I Capítulo - Leonard
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Thereza era uma menina levada, gostava de desafios, estava sempre aprontando por lá e cá. Uma garota de dezesseis anos, comum, como outra qualquer, o que a diferenciava era sua estultice. Cheia de amigos ao seu redor, sempre acompanhada, sorrindo, aparentemente feliz, bonita, sempre usando roupas da moda, e agindo da forma que queria. Certo dia Thereza se apaixona por um encantador moço, chamado Leonard. Então, Thereza fala pra sua amiga Luísa:

- Oi luisinha, estás bem?
- Oi Therê, tudo ótimo. Como vai?
- Puxa, não vai acreditar...
- O quê? Me conta? O que quê é que perdi?
- Calma. É que...
- Desembucha!
- É que... Estou apaixonada. É isso.
- Hum... E quem é o garanhão? Rodrigo ou Marcinho?
- Ai luisa, não seja tola, não poderia me apaixonar por esses dois inúteis que não querem nada.
- Ah, então quem é?
- Leonard, novo aqui na cidade.
- Nossa, Thereza, já ouvi altos babados desse daí. Dizem que ele é um gato!
- Um gato e meio. E tire os olhos, que ele já é meu.
- Como assim? O rolo é sério mesmo?
- Claro, quero namorar com ele.
- Amiga, um gato assim, você não pode perder, vai com tudo.
- Você me conhece, sabe que vou.
As duas continuam a conversa e andam pelo jardim do colégio, assim, logo encontram o director George.
- O que fazem aqui?
- É que...
- Sem desculpas, vá para a aula já, vocês duas não ficam quietas mesmo.
Sem discutir, foram dando gargalhadas, já que não levavam nada a sério.
Thereza, ou (Therê) como era conhecida, ouvia atentamente o que as amigas lhe falavam, depois de falar com todas as amigas e amigos, resolveu seguir o conselho de todas e todos os seus confidentes, namorar Leonard. Sem consultar seus pais considerados por ela, rígidos demais.

Capítulo II - Do amor ao ódio
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Um mês se passam, e o namoro prossegue e é quando Thereza conversa com sua mãe.
- Oi filha, posso conversar com você?
- Que quê é mãe? Não vê que já estou cansada demais... Fala logo.
- Quero conversar com você, essa situação não pode continuar assim filha.
- Ai ai ai ai, lá vem a velha dar lição de moral.
- Querida, eu sei que você se encontra as escondidas com um rapaz, que não é de boa família, têm má reputação, além do mais eu conheço os pais dele, e sei que eles não têm bom caráter, nem boa indole.
- Ah tá! Típico de você, mas dar uma de detetive é novidade pra mim, aonde você quer chegar? Você não tem nada haver com a minha vida, você não está nem ai pra minha felicidade né? Só pensa em si mesma. Ainda bem que tenho amigos, que gostam de mim, você é louca.
- Não filha, me ouve, eu te amo, eu quero seu bem, antes de qualquer coisa, quero que me escute, ele não é um bom rapaz.
- Você não muda. Então continue assim mãezinha, fique sabendo que eu vou morar com ele. Ele me ama. Só você não entende.
A mãe decepcionada por ouvir tudo isso se cala e vai pro seu quarto, onde chora secretamente a noite inteira.
De manhã Thereza pega suas roupas e vai embora, Leonard e ela vão morar de favor na casa de seu Miguel, um velhinho do bairro, muito gentil. Thereza está realizada, ao lado de Leonard, que por sua vez não faz nada a não ser mimar Thereza.

- Meu amor, procurarei emprego, vou á tarde na serralheria do meu tio, quero construir uma família ao seu lado, sabe que você é tudo pra mim.

- Leonard, não seja gentil, querido você que é tudo que eu sempre sonhei, eu te amo muito.
Passaram-se três meses da união, Leonard não arrumara emprego, e Thereza por sua vez empolgada lhe dá a notícia:
- Amor, vamos ter um bebê.
Naquele momento Leonard fica zonzo.
- O quê?
- Um bebê meu amor, nossa família, eu você e...
Antes dela terminar ele interrompe.
- Você tá brincando? Não podemos ter um bebê, isso é um erro. Não estou pronto!
- Mas... Esse era nosso sonho, constituir uma família, eu...
- Não, não, eu não admito ter isso.
- Isso? O nosso bebê amor, será um lindo bebê, nossa família estará completa.
 Leonard não aguenta o ódio que sente e saí enfurecido. Thereza logo liga para Luísa, por qual perdera o contado e não falava desde que fora morar com Leonard.
- Alô
- Oi, Luisa, quem fala é Therê.
- Ah, estou ocupada, pode ligar depois?
- É que era importante, mas... Tá bom.
As amigas se foram, Leonard a deixara grávida, Thereza percebeu que não era mais a menina de dezesseis anos popular da escola, que vivia cercada de “amigos”, ela estava sozinha, não tinha mais ninguém. Ela pediu mais uma semana na casa de seu Miguel, afinal, eles já moravam a quatro meses de favor. Thereza precisava de coragem para enfrentar novamente a mãe, só que desta vez não estava sozinha, esperava seu filho.

III Capítulo - A volta
- Oi
- Oi, filha?
- Sou eu mãe... Desculpa, por ir embora. Eu quero dizer que estou muito arrependida, foi um grande erro me apaixonar por Leonard, agora estou esperando um filho dele, e quero criá-lo com amor, quero que seja uma boa criança e que me escute, e que não faça jamais o que fiz com a senhora. Eu não te dei ouvidos, eu sei que você era minha única amiga, ninguém no mundo quis me ajudar como a senhora. Não pude aprender antes o que eu aprendi com essa experiência, mas poderia ter evitado tudo isso. Todos ao meu redor fingiam ser meus amigos, mas, só de você ouvi bons conselhos, e, infelizmente não dei valor, a única amiga que eu tive.
Neste momento a mãe abraça a filha e diz:
- Filha, eu sempre estarei de braços abertos para te receber novamente, e quero que saiba que você nunca me teve como sua amiga, você me têm.

                                                             Samira

  I Capítulo - 3 De Novembro
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Eis que descubro você em meio a tantos outros. Como nunca pude te perceber mero rapaz? Tão sutil, tão meigo, doce como mel. Me perdi de paixão por ele.
Moreno, alto, intrigante, personalidade forte, sorriso perfeito, o sonho de qualquer mulher. Quão voraz foi a paixão por este rapaz, me perdi, me encontrei, me apaixonei. Meu doce caro, ao me aproximar quase morria, se não fosse até você me arrependia.
De noite, olhei na janela e meus olhos brilharam. Era você, não pude resistir... Então fui ao teu encontro!
- Oi
- Oi, tudo bem?
- Sim. E com você?
- Também.
Pra um primeiro diálogo, este não seria nada mal. Mas o que realmente disse foi:
- Oi
- Oi, tudo bem?
- Sim. E com você?
- Também. Sabe, você me deixa boba, mole, apaixonada, deslumbrada, inquieta, imóvel, inspirada e todo quanto é adjetivo de uma mulher encantada por alguém que nem sabe que ela existe. Olha, não precisa de falar nada, você já diz tudo só com o seu olhar, seus olhos brilhantes, deslizam em meu  pensamento todas as noites quando acordo e quando estou no mais profundo sono também vejo você. Sinto você em minhas melodias, meus versos, meus textos de amor, seu sorriso não sai da minha boca, sua voz e seu perfume me desconcentram sem parar. Você é uma visão, um sonho meu, você não existe na minha vida, mas constantemente sou levada até teus braços que me protegem, que me deixa segura. Eu só sei pensar em você, esse é o meu dom, viver pra você, quando escrevo, escrevo pra você, quando penso, penso em você. Por favor me leve consigo e me faça a mulher mais feliz do mundo, só de estar ao seu lado serei feliz eternamente. Não sei como esse amor nasceu, como tudo aconteceu, só sei que te amo de todo o meu ser, não sou mulher sem você, tu me completas, me deixa estar contigo meu amor. Ensaiei muito pra te falar tudo isso, te estudo há tempos, te ver de perto é tão bom. Pode te chamar de meu amor? (...)
Foram as últimas palavras de nós dois naquela noite.
Entrei em depressão, não saia mais de casa, fiquei de cama por vários dias e noites, e por longos trinta dias fiquei doente de amores.
Por longos trinta dias aquele rapaz pensou. Ele passou a ler frequentemente os textos de Samira, por quem se apaixonou.

Capítulo II - O último lembrete
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Samira, segundo á descrição do amado: branca pálida, cabelos encaracolados, da cor de girassóis, doce e gentil, com pouca idade para tamanha inspiração, feminina, cheia de graça, humilde e autentica, sem perder o charme e a elegância. Samira de origem árabe, cujo significado é amiga inseparável.
As qualidades que o rapaz nunca percebera, até este ponto. Por trinta dias não lhe procurou. Trinta e um dias após, ele recebe uma carta. Quando abre, vê, é de sua amada. Logo lê, o último lembrete.

Querido rapaz...

Por você, passei a arriscar mais, a pensar em tudo como um todo, passei a amar os desafios e dizer que: eu te amo. Pra mim foi intenso, passar a amar cada detalhe da vida, cada pessoa, cada um como é, amar por dentro, enxergar o melhor e tentar esquecer os defeitos. Não foi fácil te dizer tudo isso, mas foi um alívio pra mim, que trouxe muito sofrimento, mas, me fizeste te amar mais. Quarenta vezes naquela noite, quarenta tentativas de um telefonema, me ignorastes em todas elas amor, eu ainda te amei, ainda mais. Eu tentei te entender, sabia que pra você era surpresa, que tudo aconteceu tão rápido que nem dei-lhe tempo para pensar, exigi demais de você, me perdoe amor, não vai mais acontecer. Não te culpo por me deixar sozinha, meus textos, minhas declarações, meu amor todo, você enterrou, você tinha esse direito. Espero que estejas bem por toda sua vida, que ame alguém como eu te amo, que explore cada segundo como se fosse os últimos segundos da sua vida. Espero que entenda o verdadeiro significado de amar, que saiba que eu te amo de verdade querido, e que nunca existiu outro nome para este sentimento. Espero que um dia você conheça alguém que te faça feliz como você me fez, que alguém cuide de você como eu sempre quis cuidar. Sei que você não entende amado, porque me apaixonei tão rapidamente por você, por isso, me perdoe, não tenho tempo, a velocidade do meu coração eu não sei controlar. Não se sinta culpado por nada, não é culpa sua, você nunca me fez mal algum.Te agradeço por existir na minha vida. Possa existir mil obstáculos, mas nada impedirá que meu amor por ti morra. Quero que sinta um abraço meu, oras, isso não é impossível... Só imagine, meu bem.
 Minha mãos, suavemente se entregam, firmes, rígidas, mas, leves... Sinta o calor do meu corpo, me sinta, sinta meu afeto por ti, esqueça tudo, pense em quem tanto pensou em ti, SAMIRA que nos sonhos te considerava mais que uma paixão.
Agora olhe para a minha boca, as palavras saem doces como o mel:
- Jamais eu poderia deixar passar o dia de hoje, e como estamos distantes, faço por carta a declaração que está entalada no meu peito. Meu amado, Te quero e te chamo, e sem chances, simplesmente te abraço, e deixo minha mão na tua, na calma de dois em um só. Porque já te encontrei, porque você sempre fez parte de mim.

Assinado: Samira.


Pudera o rapaz rapidamente ler a carta e contrariado com a própria opinião, ir até a casa de Samira. Era tarde demais... Duas horas antes da carta chegar as suas mãos, sua amada, havia partido. Samira tinha um câncer mortal que descobrira a 2 anos. Quando ela se apaixonara por ele, sabia que lhe restavam 90 dias.
O rapaz, ao tomar conhecimento do óbito se pôs aos prantos. Lágrimas e lágrimas de arrependimento, por jamais poder voltar atrás.
A mãe de Samira, (única pessoa além do rapaz que sabia do amor dela por ele) diz a ele com muita emoção:
- Minha filha te amou muito.
Neste momento lhe entregou um pedacinho de papel que dizia:
- Por todos os dias de sua vida querido, ao verificar a hora, se lembre...
 Eu te amo agora!


Escrito por: Ana Clara Qs

2 comentários:

Anônimo disse...

Num gostei, num deu pra entender nada...e é mto tenssoo....mto grande....e sem graça...sem moral alguma..nada avêhh velhinho... _|_

Sílvio César Rabêlo Lopes disse...

"Possa existir mil obstáculos, mas nada impedirá que meu amor por ti morra." Você retirou da mensagem "Uma Declaração de amor". Eu que escrevi em 2001, mas só postei em 2006. O pessoal já gosta de mudar algumas coisas nela, no original era "Possa" , já vi escrito pode e poderá. Também já encontrei em espanhol, só pra constar meu nome, o autor. Sílvio César Rabêlo Lopes.

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